Seu Alberto, aos 68 anos, era um avô muito dedicado. Aposentado por tempo suficiente trabalhando na roça, dedicava seus dias a fazer o que queria: churrasco, cultivar a sua horta, brincar com seu cachorro, Tito, e viver com sua família.
Alberto só tinha um filho, Rubens, a quem amou com tudo que podia dentro de suas limitações. Sua esposa, Catarina, falecera quando Rubens ainda era pequeno, assim, com a ausência da mãe, o pai dedicou todo o seu tempo para sustentar o filho. Ele não era um pai ausente, mas Rubens também não podia dizer que um dia teve o prazer de enjoar da presença do pai.
Seu Alberto tentou mudar na criação de Rubens todas as coisas que via de errado em sua infância, sendo a primeira delas a violência. Filho de um pai rígido e irmão de 7 homens, violência verbal e física não era rara dentro de casa, mas lei. A disciplina vinha com a vara, as advertências por meio da linguagem ríspida e os ensinamentos através da violência descomedida. Ao longo da vida, ele percebeu que essas coisas deixaram marcas nele: ele não confiava nos outros com facilidade, a menor das críticas gerava a exaltação de seu temperamento e ele teve dificuldade em criar laços. Com muita reflexão pessoal, o homem notou que isso não podia continuar assim, esforçando-se muito para mudar e, diferentemente do seu pai e seus irmãos, não passar essas cicatrizes para seu filho. E foi isso que ele fez, logo, Rubens cresceu sem nenhuma violência dentro de casa, à base da conversa e com apoio.
Quando Rubens chegou, Alberto tentou conversar, entender o que estava acontecendo, quem será que poderia estar batendo no Arthur? Rubens fechou a cara na hora, olhou feio para o menino e, ao ver isso, Alberto levantou a voz pela primeira vez para o filho. Ele não conseguia entender, Rubens nunca fora espancado, xingado, ou sofrera com violência alguma por parte dele, como podia fazer isso com Arthur? Rubens ficou vermelho, calou-se e disse baixinho:
“Violência também pode ser sexual, pai, não só física. E você não estava sempre em casa comigo quando o tio estava lá.”.
Foi então que Seu Alberto pensou que a violência podia nunca deixar de ser a marca familiar.

Acho importante mencionar que esse conto foi escrito por mim pensando em uma proposta de redação para o vestibular, haja vista que o tema era “Violência Familiar”. Nunca sofri nenhuma violência desse tipo, graças a Deus, mas escritores também escrevem a fim de conscientizar. Muitas vezes, apontar com dados estatísticos situações como essas não faz as pessoas refletirem tanto quanto histórias pesadas e que chocam. Também gostaria de ressaltar que a história tem um tom dramático em decorrência ao gênero textual (conto), coisa que um relato poderia ser mais respeitoso ou que mais linhas pudessem proporcionar com aprofundamento.
Realmente espero que histórias como essas não sejam frequentes nas vidas das pessoas, sigo orando para Deus que Marcas Familiares como essas não se repitam, pois a própria Bíblia já traz muitos exemplos. Lembrem-se da maior e melhor família que você pode ter é a do Pai, de acordo com Mateus 12: 46-50.
A mãe e os irmãos do Senhor
⁴⁶ E, falando ele ainda à multidão, eis que estavam fora sua mãe e seus irmãos, pretendendo falar-lhe.
⁴⁷ E disse-lhe alguém: Eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos, que querem falar-te.
⁴⁸ Ele, porém, respondendo, disse ao que lhe falara: Quem é minha mãe? E quem são meus irmãos?
⁴⁹ E, estendendo a sua mão para os seus discípulos, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos;
⁵⁰ Porque, qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, este é meu irmão, e irmã e mãe.
Mateus 12:46-50 | ACF
Também não se esqueçam de não perpetuar a violência, de denunciar ao saber da existência de uma e de não ser conivente.
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