“Cartão de crédito deve ser a melhor coisa do Universo!” disse a menina em pé do meu lado no ônibus. Diante disso, eu não sabia se ria da ingenuidade dela ou se concordava com ela, afinal, eu já fui uma menina de dezoito anos, que achava que juntar dinheiro o suficiente para pagar o cartão de crédito no fim do mês era a coisa mais fácil do mundo. “É só fazer umas aulinhas a mais”, eu pensava ao planejar meu futuro à espreita, só aguardando o fim da faculdade de Filosofia para se concretizar. Hoje, eu encarava uma fatura que não seria paga nem se eu renascesse.
A vida, porém, parecia exigir mais reflexão que Kant e Nietzsche, o que antes me parecia impossível. Claro, ter cursado Filosofia em uma Universidade Federal facilitou a minha vida, eu não pagava mensalidade, morava com os meus pais, pegava carona com eles até a faculdade: tudo se encaixava. Mas, o quebra-cabeça pareceu ter muitas peças faltando assim que eu comecei a montar ele sozinha.
Primeiro, consegui emprego em uma escola particular perto de casa, fiquei muito feliz, entretanto, eu só dava uma aula por semana, logo, tive que arranjar outro trabalho, na escola vizinha, onde a situação era a mesma. Então, procurei emprego nas cidades ao redor, tentei dar aula de Sociologia e Projeto de Vida também. Só que o valor da hora/aula era muito baixo, devido ao fato de eu ser uma professora recém-formada, e os gastos com o deslocamento entre uma escola e outra excediam meus ganhos, o que me levava a uma conta de resultado negativo, o que eu não percebi no primeiro mês.
Usando e abusando do meu cartão de crédito, parcelei um notebook novo para as aulas, saí com os meus amigos para comemorar e comprei roupas novas para me adequar à minha nova imagem de docente. Tudo parecia um sonho, só que era mesmo e eu, infelizmente, acordei tarde demais.
Quando vi, meu cartão estava com uma fatura enorme, cujo valor eu jamais conseguiria pagar. Era uma vergonha contar para os meus pais, sendo assim, pedi um empréstimo no banco. Passei a organizar melhor os horários do trabalho e só andava de ônibus, a fim de não me deslocar (e gastar) mais que o necessário. Arranjei um emprego de garçonete à noite, tentei, por incentivo dos amigos, apostar, para ver se conseguia algo, todavia, só perdi o que eu já não tinha. Resumindo, eu não tinha como pagar tudo o que eu consegui gastar. O que só me leva a pensar, em dias como hoje, que “Cartão de crédito é a pior coisa do Universo!”.
Essa foi uma crônica escrita de acordo com uma proposta de redação.